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Tem gente que acha o Tom Zé diferente demais e há ainda os que não vêem méritos na sua sonoridade (por incrível que pareça). Isso apenas porque ele não tem uma voz de Caetano ou um violão de Gil (adoro Caetano e Gil, mas Tom Zé é outra onda).
Mas Tom Zé é muito mais:
- Primeiro porque nos idos da Tropicália ele estava sempre à frente.
- Sempre fez da música um brinquedo sério e saudável, entrelaçando som e letra com perfeição (em todas as músicas, letra e som são os mais puros exemplos de complementação uma do outro).
- As letras (como os arranjos) são criativas. Porém, como já disse o som as complementa. Ler uma música do Tom Zé é interessante, mas ouvi-la com a melodia é o ápice.
- O som, como irmão da letra, acaba dizendo exatamente o que ela diria. Portando, se você escutar uma música de Tom Zé sem a letra, já vai entender muito do que ele quer dizer. Mas, como eu já disse, são irmãos inseparáveis.
- No palco, ele detona, ou melhor, transcende. Nunca vi um show dele de perto, apenas em DVD e especiais na TV. Mas sei que ele dá um grande espetáculo de interpretação e vitalidade.
- Ele, junto aos seus músicos, sabe explorar o som, criar. Tanto que inventou instrumentos com enceradeiras, esmeris, buzinas e outros apetrechos mais. A maioria das pessoas acha um sacrilégio dizer que essas coisas são capazes de gerar música. Mas, nas mãos certas, geram êxtase.
- Ele não é um músico experimental. Já experimentou e já deu certo. É um cara que sabe exatamente o que faz.
- Música não é apenas uma voz melodiosa ou uma linha melódica quase inexecutável de tão difícil. Música é saber sempre olhar além, dizer o que outros não dizem, pensar como outros não pensam, amar como outros não amam. Cantar o que os outros não cantam, e cativar como outros não cativam. Pra que repetir as coisas? Música é abrir os ouvidos das pessoas para as peripécias do mundo, e condená-las a dar voz aos sentidos. E Tom Zé sabe fazer isso muito bem.
O Tom Zé e sua música mexem comigo. Alguns amigos me dizem: “seu gosto musical mudou muito de uns cinco anos prá cá”. E eu costumo dizer que evoluí. Graças à TV Cultura, há cerca de cinco anos conheci o trabalho de Tom Zé (assim como o de André Abujamra, o de Itamar Assumpção, o da banda Karnak etc). Queria um dia poder cantar com ele.
(Não sou uma chata querendo ser diferente e dar uma de intelectual - intelectualóide, como dizem alguns tontos. Se sou diferente, não é por querer mostrar isso aos outros, mas pra me sentir à vontade e não me perder num arrastão de imbecilidade que acontece por aí).
Amar a arte de Tom Zé, para mim, é ficar longe das coisas que atrofiam meu cérebro. Ouvir Tom Zé é pensar com o som.
Mas existe a tal coisa da identificação e eu não posso obrigar todo mundo a gostar de Tom Zé ou pelo menos escutar um cd seu. Aliás, esse seria meu único crime em relação à diversidade dos seres humanos: querer que todos gostem de. Comigo aconteceu, além da valorização, a identificação. E gosto de Tom Zé não só por considerá-lo bom, mas também por achar que a sua arte é fundamental para o que quero para a vida como ser humano e como artista.

criado por talitanr
02:20:44