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Ela insiste severamente em ser chamada de Dona. Ao telefone, logo diz “Aqui quem fala é ‘Dona’ Fulana”. E a outra insiste sarcasticamente em não acrescentar-lhe tal pronome/adjetivo.
Perguntam “Dona de quê?”. Desses traiçoeiros é que não é. É: da voz mais torturante e irritante de todas, não só pelo timbre, mas também pelo modo como cospe as palavras. Dona do pasto, aquela vaca.
Há quem a chame mal amada e mal comida. Mas, como dizem, o problema não é o problema, mas como se lida com ele...
A outra, quando a viu pela primeira vez (até então só tivera um desprazer: aturar em seus tímpanos impecáveis e sensíveis aquela voz-ruído de macaca fanhosa) se surpreendeu. Não por ser bela - pareceu-lhe uma ratazana desbotada – mas pela grande diferença que havia entre a real e a imaginária. A criatividade faz pintarmos demônios ímpares...
Mas uma ratazana desbotada com voz de macaca fanha está de bom tom. Um ser geneticamente modificado? Não. Um ser psicologicamente perturbado.
A outra teve tanta raiva dela um dia que quase explodiu. Quase. Foi incapaz de perder a compostura. Emudeceu de susto. E nem tinha visto a cara dela ainda.
A outra teve ódio. Quis matá-la, mas era covarde. E também não quis meter-se na cadeia (pois não era fria o suficiente para arquitetar e executar planos malignos de assassinato). Então ela ficava imaginando a ratazana sendo vítima das mais diversas torturas: roda de despedaçamento, berço de Judas, dama de ferro, esmaga cabeça, pau-de-arara, empalamento e outros.
O que depois acabava sendo uma tortura para si mesma, imaginar coisas tão cruéis...
criado por talitanr
15:16:46