Musicíssima

Debulhando palavras e musicalidade, no superlativo

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2007, 07

07.08.07

Aventuras sonoras

Domingo, dia 05/08, fui com o Zé Renato fazer um som em Bento de Abreu, cidade pequena do interior de SP, onde morava meu amigo Guto (amigo querido que hoje se entope de prédios e poluição na grande São Paulo). Eles realizaram lá um Festival de Inverno, com várias atrações (orquestras de Araçatuba e Guararapes, catira, etc), convidaram o Zé pra tocar, que me chamou.

 

Nessas horas, o que tocar e cantar? Fomos nós com Mutantes, Belchior, Gordurinha e Cazuza. O Zé Fez uma parte instrumental (aliás, tocou um blues improvisado com 3 meninos da Orquestra de Guararapes, que ficou perfeito) e depois eu entrei.

 

Antes, eu fiquei imaginando se as pessoas gostariam das músicas que apresentaríamos. Mas deu liga. Baixou o santo na hora (como sempre) e, depois que descemos do palco, uma das coisas legais que ouvimos foi: “a música de vocês envolve a gente”. É isso. A tiazinha que disse, “matou a pau”. O envolvimento espontâneo do público com a música deixa o artista com o sentimento de preenchimento, poeticamente falando. É bom fazer bem. Sem contar que elogios de pessoas simples são os mais valiosos, porque não há política nos comentários; há sinceridade.

 

Antes de voltarmos, nos ofereceram uma comida que tinha tudo pra estar deliciosa: arroz carreteiro e feijão tropeiro. Mas eu, como uma anta, havia tomado um balde de sorvete industrializadíssimo (porém gostoso) antes de ir pra lá e estava com o bucho cheio. Não cabia mais nada (também porque almocei às três da tarde, numa costelaria em Araçatuba, onde cantei no mesmo dia). Mas as lombrigas fizeram protesto.

 

Fizemos um bom trabalho. Sem muito ensaio, mas é claro que passamos os tons, os tempos e bolamos algumas cositas antes, mas isso no mesmo dia, horas antes de tocar. Aliás, o Zé tem uma visão da música que eu gosto bastante. A música é uma coisa que rola na hora. Às vezes a gente ensaia e deixa tudo muito quadradinho, quando, na apresentação, podem surgir idéias novas; é a criação ali na hora, um improviso responsável.

 

Enfim, fazendo um balanço, as pessoas gostaram. É claro que sempre tem um ou outro que acha estranho, feio, sem graça, mas foi a minoria. A gente vê que nessas cidades menores, proporcionalmente, há mais carência de cultura do que aqui em Araçatuba (apesar dos pesares, temos muita gente boa aqui querendo fazer e mostrar um bom trabalho). E conseguir “pegar” as pessoas pelo ouvido, até pelos poros, e conseguir obter um bom resultado disso é o rumo certo pra se chegar ao verdadeiro conceito de arte.


  • criado por  talitanr criado por talitanr
  • Postado em 14:08:37